quinta-feira, 11 de setembro de 2008

TRABALHAR COM A PEDAGOGIA DE PROJETOS DENTRO DO LABORATÓRIO DE INFORMÁTICA! “...é irrealista pensar em primeiro ser um especialista em informática ou em mídia digital para depois tirar proveito desse conhecimento nas atividades pedagógicas...” Valente, 2002a A proposta da PEDAGOGIA DE PROJETOS é de criar espaços e situações de aprendizagem que permitam aos alunos construir conceitos sem a preocupação em classificá-lo por disciplinas, mas ao contrário, perceber o todo, estabelecendo relações significativas entre conhecimentos, expressar seu pensamento, registrar e publicar o que descobrem, partilhando suas idéias com outros sujeitos. O desafio citado por nossa tutora Gaby é de grande importância; pois estamos envolvidos numa capacitação em que “tentaremos” inserir as novas TIC em nossas escolas; particularmente nos laboratórios de informática. GRANDE DESAFIO, SIM, IMPOSSÍVEL, NÃO... Segundo Valente, embora as sofisticações tecnológicas sejam ainda maiores, existem dois aspectos que devem ser observados na implantação destas tecnologias na educação. Primeiro, o domínio do técnico e do pedagógico não deve acontecer de modo separado. Não podemos pensar em primeiro ser um especialista em informática ou em mídia digital para depois tirar proveito desse conhecimento nas atividades pedagógicas. O melhor é quando os conhecimentos técnicos e pedagógicos crescem juntos, simultaneamente, um demandando novas idéias do outro. O domínio das técnicas acontece por necessidades e exigências do pedagógico e as novas possibilidades técnicas criam novas aberturas para o pedagógico, constituindo uma verdadeira espiral de aprendizagem ascendente na sua complexidade técnica e pedagógica (Valente, 2002a). Partindo deste princípio é de responsabilidade do educador compreender as perspectivas educacionais, adquirindo simultaneamente habilidades, competências técnicas e pedagógicas e entender POR QUE e COMO integrar essas novas ferramentas tecnológicas digitais que estão cada vez mais presentes em nossa sociedade, a exemplo do computador na sua prática pedagógica; implementando projetos significativos de aprendizagem na sala de informática, criando condições e desenvolvendo atividades que possibilitem a construção de conhecimentos pelo aluno e porque não dizer do professor... Nesse aspecto, a experiência pedagógica do professor é fundamental. Conhecendo as técnicas de informática para a realização dessas atividades e sabendo o que significa construir conhecimento, o professor deve indagar se o uso do computador está ou não contribuindo para a construção de novos conhecimentos. Valente faz uma ressalva em relação ao uso do computador, que a depender da situação, e completando de acordo aos conteúdos a serem desenvolvidos, a TV pode ser mais apropriada do que o computador. Mesmo com relação ao computador, existem diferentes aplicações que podem ser exploradas, dependendo do que está sendo estudado ou dos objetivos que o professor pretende atingir. O professor precisa conhecer as diferentes modalidades de uso da informática na educação – programação, elaboração e uso de multimídia, busca da informação na internet, ou mesmo de comunicação – e entender os recursos que elas oferecem para a construção de conhecimento. Conforme análise feita por Valente em outro artigo (Valente, 1999a), em algumas situações o computador oferece recursos importantes para a construção de conhecimento, como no caso da programação e da elaboração de multimídias. Em outros, esses recursos não estão presentes e atividades complementares devem ser propostas no sentido de favorecer esta construção. Por exemplo, no caso de busca e acesso à informação na internet, esta informação não deve ser utilizada sem antes ser criticada e discutida. No entanto, essa visão crítica, em geral, não tem sido exigida nas atividades de uso da informática e ela não pode ser feita pelo computador. Esta reflexão crítica cabe ao professor. Uma vez o professor sentindo-se mais familiarizado com as questões técnicas, pode dedicar-se à exploração da informática em atividades pedagógicas mais sofisticadas. Ele poderá integrar conteúdos disciplinares, desenvolver projetos utilizando os recursos das tecnologias digitais e saber desafiar os alunos para que, a partir do projeto que cada um desenvolve, seja possível atingir os objetivos pedagógicos que ele determinou em seu planejamento (Valente, 2002b). Desde que estou nessa caminhada como educadora venho ouvindo seja em cursos, capacitações ou mesmo no ambiente escolar se falar na BUSCA DA QUALIDADE DE ENSINO. Parece-me até que está se tornando um CLICHÊ... Em se tratando de utilização dos recursos tecnológicos na educação, não há dúvidas de que os professores encontrarão pela frente muitas dificuldades em adaptar a sua atuação a essa nova realidade; mas se queremos REALMENTE contribuir para a melhoria da qualidade do ensino público, deixemos o pessimismo de lado. Todavia, não se deve esperar a homogeneidade ou a adesão de todos em nada e em nenhum lugar. Os professores, que decidirem utilizar o laboratório de informática, de maneira alguma deverão abandonar todas as atividades que vinha desenvolvendo, pois, no início, as atividades de laboratório se constituirão em um recurso a mais para o desenvolvimento de seu trabalho. “...Colocamos dificuldades para a mudança, sempre achamos justificativas para a inércia ou vamos mudando mais os equipamentos do que os procedimentos. A educação de milhões de pessoas não pode ser mantida na prisão, na asfixia e na monotonia em que se encontra. Está muito engessada, previsível, cansativa. As tecnologias são só apoio, meios. Mas elas nos permitem realizar atividades de aprendizagem de formas diferentes às de antes...” Moran, José Manuel - Educação e Tecnologias: Mudar para valer!

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